O cientista russo Matveiev definiu o treinamento desportivo como
“A forma fundamental de preparação baseada em exercícios sistemáticos
representando um processo organizado pedagogicamente com o objetivo de
direcionar a evolução do desportista.”
Já Tudor O.
Bompa, romeno considerado por muitos como o pai da periodização, define
o treinamento como “Uma atividade sistemática de longa duração,
graduada de forma progressiva a nível individual, cujo objetivo é
preparar as funções humanas, psicológicas e fisiológicas para poder
superar as tarefas mais exigentes.”
Ora, então o
treinamento existe porque fisiologicamente é impossível se manter em
forma por muito tempo e este é dividido em períodos para que o atleta se
desenvolva mais e mais a cada ano!
O treinamento deverá ter várias etapas e respeitar alguns princípios.
Um artigo do Mestre Ricardo Lussac que teve como base para seu estudo
ninguém menos que Manoel Tubino e inovações de Estélio Dantas, além de
outras referências, trata de forma muito interessante desse assunto.
Apresento a vocês um resumo adaptado por mim destes princípios, que acredito já serem conhecidos:
· Princípio da individualidade biológica - respeita a individualidade sem violar as limitações de cada atleta;
· Princípio da adaptação - o treinamento deve ter sempre novos estímulos;
·
Princípio da sobrecarga - utilizada com bom senso a sobrecarga serve
para levar o atleta a um novo e mais elevado patamar de tolerância às
cargas de treinamento;
· Princípio da interdependência
volume/ intensidade - está intimamente ligado ao principio da
sobrecarga, pois o aumento das cargas está ligada a melhoria da
performance,
· Princípio da continuidade - a continuidade possibilitará que o treinamento seja realizado em todas as suas etapas;
· Princípio da especificidade - está ligado diretamente aos gestos específicos da uma modalidade;
·
Principio da variabilidade - tem relação com a idéia do Treinamento
Total, ou seja, o mais variado possível objetivando um aperfeiçoamento
global do atleta;
· Princípio da saúde - será que os
treinamentos que visam a performance seguem os princípios da saúde? Será
que o bem estar e o prazer conseguem ter prioridade em detrimento dos
resultados nos desempenhos atléticos?
· Princípio da
inter-relação dos princípios - somente através de um conhecimento de
todos esses princípios podemos realizar um treinamento ideal e eficaz.
Podemos perceber que graças ao avanço tecnológico e científico, o
treinador pode lançar mão de vários estudos, artigos e livros e, com
base nesses, ainda utilizar como parâmetro, uma infinidade de testes
para determinar níveis de esforço, de carga, definir o repouso, enfim,
ferramentas que podem auxiliar na construção de uma boa periodização
que, além do monitoramento do treinamento, poderá auxiliar também, a
equipe multidisciplinar, quando falamos em alto rendimento ou em
amadores exigentes e disciplinados.
Isso vale para qualquer esporte!
Porém, para se definir se um ciclista está bem treinado, alguns pontos devem ser observados.
Em primeiro lugar deve-se ter em mente que o ciclismo é um esporte
tático e de equipe, então... O bom ciclista será aquele que cumprir sua
função tática dentro da equipe e isso nem sempre tem a ver com
resultados em testes.
· O bom atleta antes de
tudo é aquele que pouco se machuca e pouco adoece, pois, só assim,
conseguirá cumprir todas as etapas do treinamento e logo, atingirá uma
melhor condição física;
· O ciclista que está no peso ideal para suas características conseguirá ser mais útil dentro da equipe;
·
A maneira que o atleta encara os desafios e possíveis adversidades,
dentro e fora da equipe, também é muito importante para que este possa
ser realmente útil na equipe.
Possivelmente, este será
um ciclista sempre motivado e contribuirá para que os colegas se
mantenham também focados no objetivo comum a todos os integrantes;
· Ter espírito de equipe é fundamental, pois, no ciclismo assim como no futebol, a vitória de um será a vitória do time!